29 de fev de 2016

Mas a vida... Han, a vida é caixinha de surpresas...

Pois é, finalmente consegui ter um tempo pra não pensar em nada, aliás, pensar em tudo o que vem acontecendo, no que eu era e no que eu me tornei.

Engraçado como as coisas mudam, e não estou falando das voltas que o mundo dá, porque pelo menos pra mim a ideia do "mundo dar voltas" é de que aquele que está por baixo agora, um dia estará por cima e vice versa, e o que vem acontecendo, não tem muito a ver com estar por cima ou por baixo...

Pensando a quase 5 anos atrás, na verdade 5 anos e 18 dias pra ser mais exato, eu estava conhecendo uma pessoa que mudaria pra sempre a minha vida, a pessoa que por todos esses anos de lá pra cá, foi responsável por me tornar mais humano e mudar muitos dos meus pensamentos em relação as outras pessoas.

Naquele tempo, eu era só mais um cabeludo perdido na vida, sem a menor intensão de ter raízes em algum lugar ou alguém, tá certo que eu só tinha 24 anos e tinha acabado de voltar de um mochilão e que vivia sem dinheiro de freela em freela, sem o menor saco pra ter um trampo fixo (na verdade mesmo depois disso, até hoje ainda não tenho paciência pra trabalhar em um só lugar). Ela era uma pessoa alegre, retardada (assim como eu), cheia de amor e vida, que mal tinha saído do estado, ou feito grandes viagens, e que dizia que queria passar a vida toda ali no seu bairro, pois não se enxergava morando em outro lugar. Ainda lembro de cada momento em que ela me levou pra fazer um tour por cada esquina e ruazinha torta de onde morava, pra mim aquilo parecia de um labirinto de ladeiras! rs

Já eu dizia que não pensava em ter familia, casa, nem nada do tipo, namorar então... jamais! Tinha acabado de arrumar um emprego como professor, comprado a moto que eu sempre quis, e pela primeira vez na vida estava experimentando a sensação de ter um pouco de dinheiro na conta!

O tempo passou, e passou rápido, tão rápido quanto foi intenso! Muitas viagens, estradas, garupa, medos, parcerias, tempos bons e ruins. Mas mesmo em meio a tudo isso, eu percebia que algo havia mudado em mim, passei a me importar mais com as pessoas, mesmo sendo relapso e esquecido, eu fazia questão de mostrar que estava ali para os meus amigos e quem mais precisasse. Até que as coisas começaram a ficar tensas, e eu comecei a repensar sobre o que valia a pena em relação ao meu comportamento e as pessoas. Foi então que eu comecei a me fechar, não era mais tão entusiasmado e alegre como eu era antes, basicamente só me abria e me sentia a vontade com ela.

Depois veio uma outra situação e pra mim, naquele momento, algo muito sério dentro de mim aconteceu, eu estava na grama do parque chorando e inconformado com o tamanho da merda que tinha acabado de acontecer, e arrependido de não ter tomado uma atitude, ao mesmo tempo que eu estava completamente perdido. Naquele dia, uma parte de mim morreu, na verdade eu inteiro morri, como no filme Inside Out, na hora em que a última memória estrutural desaba e a garota fica profundamente vazia e perdida.

Tudo o que eu tinha como referência de tudo na vida se foi, não fazia mais sentido, e até hoje consigo sentir esse vazio, aquele cara alegre e empolgado e feliz, virou só um cara, calado, profundamente triste e perdido.

Aos poucos com o tempo eu fui me reconstruindo, mas todos aqueles conceitos que eu tinha antes, agora não faziam o menor sentido, e eu aprendi a não confiar mais nas pessoas como antes, nem naquelas que teoricamente estariam acima de qualquer suspeita. Aprendi que só cabe a mim fazer as minhas coisas sozinho, parei de me preocupar com as pessoas, me fechei ainda mais, me calei como nunca tinha me calado antes, e me tranquei no meu mundo pra tentar me achar, mas acabei me perdendo ainda mais.

Hoje, fazendo menção ao título do post, ela que morria de medo de avião e se imaginava pro resto da vida no seu bairro, era impulsiva e super "raiz", está do outro lado do atlântico, se virando sozinha e se organizando pra ficar por lá. Sem falar na sua maturidade que de longe eu não chego nem a 1%, e mesmo ainda cheia de amor e vida, é mais ponderada e séria. Por conta de tudo isso, posso dizer que talvez ela seja a única pessoa que eu realmente admire, por tudo o que aconteceu e pelo que ela se tornou.

Em compensação, eu que era aquele cara alegre, que não tinha problema pra conversar, era sempre preocupado com as pessoas ao meu redor, amigos etc, passei a não dar a mínima para as pessoas, cuidando apenas daquelas que realmente se mostram perto, que na verdade da pra contar essas pessoas nos dedos da pata de um cavalo, quando comecei meu curso, fazia questão de dar bom dia e interagir com as pessoas, hoje dei Graças a Deus que estou sentado no fundo do canto da parede da sala, assim não preciso conversar com ninguém e só me concentrar no meu trabalho. Me tornei um cara que quando vai pro bar com os amigos, fica só prestando atenção na banda e curtindo a música, sem dar a mínima pro que está acontecendo ao meu redor, a ponto de até notar que uma garota está me olhando ou dançando meio que interessada perto de mim e "don't give a shit for this". Me tornei um cara que até em uma entrevista de emprego não tem o menor interesse ou a preocupação de puxar assunto ou perguntar algo, ou quando estou num grupo de pessoas, nem presto atenção na conversa porque fico entediado, na verdade, pessoas me deixam entediado, não vejo mais graça em ninguém...

Eu sei que isso não é bom pra mim, mas ao mesmo tempo, estou analisando o quanto também não é ruim, por isso que eu disse sobre a metáfora do mundo dar voltas, não caber nessa situação, porque assim como tudo na vida, o "segredo da felicidade" é encontrar o equilíbrio em tudo, talvez é isso que eu esteja precisando agora, achar o equilíbrio entre o que aconteceu, e o que eu sou agora. Mas de uma coisa eu tenho certeza, nunca mais vou ser tão humano quanto nesses quase 5 anos, pois parte da minha humanidade não está mais comigo.