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3 de mai. de 2010

Miha arte é...



Depois de ler um artigo da Marcia Tiburi sobre "O Luto da Arte", na edição desse mês da revista Cult, comecei a desconstruir algumas coisas na minha cabeça, principalmente a respeito daquilo que eu faço.

Segundo a Teoria da Morte da Arte referiada por Hegel no século 19, a arte de um modo geral não está morta, mas sim a ela no seu estado belo. Levando em conta que a sua função histórica, segundo alguns caras que estudam o assunto, é fazer perdurar o belo para substituir o feio, percebemos que hoje, com a evolução do Homem e os episódios históricos de tragédias que marcaram nosso tempo, o "belo" recebeu uma nova leitura, bem diferente do que o apresentado há seculos atrás. Antes se tinha uma referência do que era belo, hoje essa referência está muito subjetiva à visão de cada um, matando dessa forma a diretriz do retrato do "belo" pela arte.

O engraçado é que para mim, a morte em si, nunca foi relacionada ao fim de alguma coisa, mas sim ao começo de uma nova etapa. Por exemplo, se não fosse a "morte" da arte como bela, hoje não teríamos a oportunidade de repensar sobre o que realmente é belo. Quando uma pessoa morre, a vida dela em si não acabou, simplesmente foi para um novo estágio, que até agora não se sabe ao certo qual é, cada crença prega o que acredita, mas de fato ninguém voltou para falar qual ou como é esse recomeço.

Tomando como base o pensamento subjetivo sobre o que é belo, voltei-me para aquilo que eu faço, e percebí que nunca sequer pensei nos meus trabalhos como arte. Ao contrário do que todos recomendam, nunca procurei estabelecer um traço específico para os meus desenhos nem um estilo visual para os meus sites ou demais trabalhos. Pois para mim, eles simplesmente "surgem", como fruto daquilo que eu sou, e não daquilo que eu tento ser. Eles são reflexos do meu ponto de vista do que é belo (ou não), e não do que pode ser belo para os outros.

Acredito que por desde cedo ter me imergido no mundo do Design como um negócio, sempre tratei de tudo como uma forma de trabalhar com aquilo que gosto de fazer, e não como uma maneira de ser reconhecido como um artista. Para mim tudo é muito simples, se preciso fazer um site para um cliente, eu apenas coleto o breafing com as informações que preciso, estudo algumas referências sobre a área de interesse para criar o meu conceito, e pronto... o site sai como consequência. No caso das minhas ilustrações, o trabalho é mais simples ainda. Eu apenas, paro, penso, e desenho aquilo que estou pensando (afinal de contas pensamos imagens e não palavras)... nada de mais... tanto um quanto o outro, são apenas um reflexo do que está na minha mente.

Com tudo isso processando na minha cabeça ao mesmo tempo em que escrevo esse post, somado ao artigo que lí, só consigo pensar em duas questões que talvez sejam tão subjetivas quanto a visão que cada um tem sobre o que é belo, e por conta disso, talvez eu nunca consiga uma resposta plausível e convincente para elas, então eu vou perdurar por um bom tempo perguntando...

O que é a arte hoje? Qual é a minha arte e onde ela se encaixa em tudo isso?

13 de mar. de 2009

Designer? Mas que diabos é isso...

Aeee a zica no programa se foi e já posso desenhar novamente! \o/

Essa semana estava pensando numa penca de coisas e tals. Mas uma me chamou mais atenção: O que diabos é um Designer?!?!

Já repararam como essa palavra está na moda hoje me dia? Tem gente que é designer de bolo, outros são designers de cabelo, uns são chamados de designer de sombrancelha e por ai vai... Daqui a pouco, até o Seu Zé que é pedreiro vai ser chamado de "Designer de Cimento", o encanador vai virar "Designer de Canos", mas aí eu penso: Onde isso vai parar?

Hoje em dia somos bombardeados por uma porrada de coisas gringas, sejam elas palavras, produtos, profissões, propagandas, etc. O que na minha opinião, faz com que muita gente perca um pouco da sua "brasileirice" e passe a adotar essas novas influências no seu dia a dia, ái dá merda!! Digo isso porque, em virtude dessa situação, muitos nem sabem o que essas coisas significam, e acabam adotando só porque é xique, , ao contrário daqueles que realmente exercem essa profissão, e são Designers formados e estudados, mas acabam sendo só mais um.

Uma cena clássica:
Chega visita em casa, e a mãe vai apresentar seu dois filhos formados:
- Esse é meu filho mais velho, ele é advogado, formado com excelência, super inteligente...
- Ah e também tenho esse outro filho, ele... ele é Designer... mas o que importa é que tem saúde né...

Pois é, mas a realidade é a seguinte:

Não! Você não é designer, é cabeleliro.
Não! Você não é designer, é confeiteira.
Não! Você não é designer, só tira sombrancelhas.
Não! A sua mulher não gosta de rosa com laranja salmão.

Não! Eu não sou técnico de informática.
Não! Eu não faço seu retrato a lápis.
Não! Eu não passei na faculdade desenhando.
Não! Eu não troco meu serviço pelo meu nome no seu site.
Não! Eu não sou o carinha do marknting.
Não! Eu também não sou o carinha da publicidade.
Não! Eu não estudei Córeu Dráu.
Não! Eu não invento slogãozinho.
Não! Eu não sou Design e não estudei Designer.

Não! Eu não estou me achando, só sei o que estou fazendo.

"Os designers são os artistas da nossa sociedade industrial. Podem transformar a paisagem de nossa casa e das cidades. Podem enriquecer nosso imaginário coletivo com formas novas. A missão deles não é somente cultural, mas é também material e deve ser perseguida com criatividade, responsabilidade e paixão."
Gillo Dorfes - Crítico de arte e design

"O designer é fantasioso como um artista, preciso como um técnico e atento ao mercado como um empresário"

Amanhã tem mais, agora xô dormir um pouco =)

Beijos a todos!!! =)