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18 de out. de 2010
Só mais um cara...
Em meio ao caos da cidade grande, havia um cara...
Ele procura sempre levar a vida da sua maneira, sem preocupações excessivas nem desesperos. Um solteiro sossegado e desencanado que nunca sabe o que tem em sua própria geladeira, e nem se preocupa em saber, quando precisa, simplesmente abre e pega o quer.
Um cara que ama seu trabalho, mas não consegue imaginar sua vida inteira sentado atrás de uma mesa em frente ao computador. Um bicho da cidade que adora a correria do seu dia a dia sem rotinas ou horários planejados, mas que de igual modo, de tempos em tempos precisa se refugiar sozinho em meio a lugar nenhum para pensar em nada e andar sem rumo nem ninguém dizendo o que fazer.
Só mais um esquisito com suas manias e uma descarga eltrétrica cerebral acima do normal. Um alguém que quando está cansado, ao invés de ir para a cama mais cedo, sai para correr a noite, se está entediado, no lugar de ligar a televisão ele calibra o pneu de sua bike e sai pela cidade batendo fotos.
Não consegue viver sem o sol, mas se confidencia com a lua, tem miopia mas mesmo sem óculos sempre que olha para o céu a noite, encontra uma estrela para observar. Prefere Tubaína a cerveja, mas todo fim de semana procura alguma coisa para fazer, mesmo que seja sozinho no mesmo barsinho de sempre.
Em seu MP3, na sequência do Black Sabbath que ele toca em sua banda, vem sempre uma balada de violão, um MPB ou algum clássico erudito. Enquanto lançam novos iPods super tecnológicos, ele se detém na vitrine onde se encontra os vinils empoeirados. Pode passar até 1 minuto e 12 segundos sem respirar mas é capaz de morrer se ficar mais de 30 segundos sem música. Curte Rock contemporâneo mas acredita que o Roll acabou antes da década de 90.
Não tem frequentado muito a igreja mas sabe que sua vida sem Deus não é nada. É péssimo com as palavras ditas, mas se sente a vontade com as que são escritas. É tímido até mesmo para cumprimentar alguém conhecido, mas não tem vergonha de dizer o que pensa quando isso se faz necessário.
Ele é só mais um cara, mas não apenas um cara...
23 de ago. de 2010
Pixação publicitária, ou publicidade "pixatória"...
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| Fotos: http://migre.me/16L8p e http://migre.me/16L8s |
Estava escrevendo minha monografia sobre o "Lado B" dos artistas independentes, e em meio a minha pesquisa em relação a macro tendência de arte urbana, me deparei com um assunto que pouco havia pensado a respeito, mas assim como a maioria das pessoas, já tinha uma opinião formada sobre ele.
Foi então que pesquisando mais a fundo somado a essa época de eleição onde somos bombardeados por publicidade, pude vê-lo com outros olhos, e tive que parar tudo para escrever esse post pois me levantou uma questão que jamais havia pensado: Seria a pixação mais agressiva que a publicidade?
Como eu disse, sempre tive uma opinião bem definida sobre pixação e grafite, para mim, um não tem nada a ver com o outro. A pixação não é feita para interagir de forma bonita com a cidade, e sim agredi-la, já o grafite busca intervir para dar uma releitura sobre aquele determinado local sem necessariamente "machucar" visualmente. Mas ambos possuem algo em comum, que é a mensagem que seus criadores querem passar. Com isso me veio a cabeça agora um terceiro agente que se utiliza descontroladamente dos mesmos meios que os outros para divulgar a sua idéia, a Publicidade.
Ao assistir o trailer do filme "PIXO", nele havia, um fotógrafo tratando o pixo de um cara como uma logomarca própria e original, afinal, cada pixação é diferente da outra. Isso me fez pensar no lado da publicidade, aqui em São Paulo graças a Deus existe a lei "Cidade Limpa" que proíbe qualquer tipo de propaganda em muros, faixas, placas etc, mas ainda assim, existem muitas empresas que teimam em "vender seu peixe" através desses meios, agora ilegais, de comunicação. Se formos analisar friamente, esse tipo de coisa é tão agressivo quanto uma pixação, afinal de contas, ninguém sai de casa para ler o cartaz de promoção de uma loja que está colado num tapume, ou ninguém anda pelo centro da cidade apenas para receber aqueles panfletos de óticas e advogados trabalhistas, para depois amassá-los e jogá-los no chão, sim no chão! Pois infelizmente parece que 90% das pessoas não tem capacidade o suficiente para não pegá-los ou se pegar, guardá-los até a próxima lata de lixo, mesmo que ela seja a da sua casa.
Nessa época de campanha política então nem se fale, até parece que o governo iria fazer uma lei que pudesse impedir seus políticos de se divulgarem. Há uma série de itens na Lei Cidade Limpa que são anulados pela Lei Federal quando diz respeito a publicidade política. Ou seja, não pode colar cartazes nos tapumes de construções, mas pode entupir as ruas com cavaletes nas calçadas, não pode pendurar faixas de candidatos nos postes, mas pode entuchar de santinhos as pessoas que passam pelas ruas e os carros nos semáforos. Por mais que você seja a pessoa mais determinada do mundo e resolva não aceitar folheto algum de publicidade, você não vai conseguir resistir e quando menos espera pegará um santinho ou cartão vale-desconto da ótica da esquina só pro cara parar de te perturbar para você aceitar um.
Com isso fico pensando, o que é mais agressivo, essas ações marqueteiras de políticos desrespeitosos e lojinhas vagabundas que não tem o que fazer, ou a pixação de um cara desconhecido na fachada de um prédio? Em minha opinião, os dois! Mas o Pixo é para ser agressivo, não com as pessoas, mas com a cidade, é como uma reivindicação de espaço, um protesto silencioso, uma vez que mesmo que esses caras abram a boca, a sociedade não vai ouvi-los mesmo, então eles pelo menos escrevem. Porém seria mais legal se eles escrevessem de uma forma legível, sei lá, poderia ser com uma letra estilosa e tals, mas que quem não fosse pixador também pudesse entender, quem sabe dessa forma as pessoas passem a apoiar as causas defendidas nos muros da cidade, e deem o devido valor a esses caras. Mas pelo que eu percebo a idéia não é essa, e sim algo mais tribal e territorialista, como "Fulano esteve aqui" ou numa tradução mais apropriada "Fulano quase morreu para subir a fachada desse prédio, mas esteve aqui, porém quase morreu novamente para descer..." até que alguém vai lá e pinta a pixação, como se estivesse dizendo “Fulano quase morreu para fazer de graça uma coisa que hoje eu me pagam para fazer de boa sem arriscar minha vida.”. Eu sei que muita gente pode me xingar por isso (mas eu não ligo mesmo...), pois para mim essa atitude é a mesma de um cachorro que anda pela rua e urina na base de um poste para mostrar para outros cachorros que ele esteve ali, até que alguém lava aquele lugar e nenhum outro cão jamais imagina quem passou por lá...
Do lado da publicidade, não é muito diferente. Outro dia, saindo da antiga Galeria do Rock (digo antiga porque de rock de verdade só sobrou o nome e uma ou duas lojas...), um vendedor da Tim veio desesperado me abordar para comprar um chip, enquanto seu colega gritava feito louco no meio da rua como se fosse um camelô: "Olha o chip da Tim é só cinco real, e vem com oito di creditos...". Enfim, eu precisei ser super ogro com o cara (o que pra mim não é muito difícil) e mesmo assim eu quase implorei pra ele me deixar em paz, porque eu não queria comprar a tranqueira daquele chip, mas juro que se eu estivesse com cinco reais na carteira, eu comprava só pra ele parar de me encher o saco. Como se não bastasse, uma quadra antes de chegar a estação Anhangabaú do Metrô, eu tive que andar pelo meio da rua, pois as calçadas estava tomadas por entregadores de panfletos, era quase um corredor polonês de folhetos. O que mais revolta com tudo isso, é que no final do dia, todos esses papéis estarão no chão, entupindo bueiros e bocas de lobo. Com isso, na hora da chuva, os malditos que entregam essas merdas e entopem os escoamentos de água, são os mesmos que aparecem no jornal "recramanu" da prefeitura porque sua rua alagou ou seu barraco desabou. Puta merda!! Bem feito!! Quem mandou entupir a rua com aquelas tranqueiras de folhetos, quem mandou construir barraco em área de risco, CATSO!! Se o lugar chama "A-R-E-A - D-E - R-I-S-C-O" não é para ser construído nada lá perto, principalmente um barraco que não é para ser construído em lugar nenhum!!!!! É tão difícil entender isso!?!?!?
Enfim, eu sei que muita gente não vai concordar com tudo isso que eu escrevi, e inclusive gostaria de mais do que nunca, deixar esse espaço de comentários aberto para ler a opinião de vocês. Mas para concluir, eu acho que o que precisa ser discutido, não é a pixação em si, ou o grafite ou mesmo a publicidade, mas sim de fato o que realmente é essa agressão, e quais as suas consequências na sociedade, na nossa cidade e principalmente, em nós.
19 de abr. de 2010
Porque eu corro...

"De um lado as luzes da cidade
Tendo o Homem como construtor
Do outro lado a natureza
Fruto das mãos do Criador
E entre elas duas eu corro
Corro pela vida
Corro pelo amor
Corro pra ser livre
E não para ser um correrdor
Corro sob o céu noturno
Corro em meio as estrelas
Pelo brilho do Luar e todo o seu explendor"
- Diogenes Ostuni
21 de set. de 2009
Vida sem ideal...
Bom galera... depois de um tempo corrido com alguns jobs malucos, e alguns dias de inconformismo e revolta, eu estou aqui para mais um post atrasado, aliás, post atrasado é o que não falta rs, ainda tenho algumas ilustras para terminar, e só depois vou postar os textos delas...Mas hoje eu quero falar justamente dessa dupla: Inconformismo & Revolta!
Para muitos essas são duas palavra temidas e com conotações negativas, mas na verdade, elas são as palavras chaves para a evolução da Humanidade. Digo isso pois, se não fosse pelo inconformismo de algumas pessoas na História, não teríamos metade dos avanços tecnológicos, desde a simples eletricidade, que foi resultado do inconformismo de Thomas Edson com a escuridão e as velas, até mesmo o nosso "tão querido" PC que surgiu como o fruto do inconformismo militar de não conseguir calcular suas estratégias durante a guerra.
E a revolta, bem a revolta é mais temida ainda! Mas sem ela, ainda teríamos a escravidão, seríamos sub-julgados sem direito algum (Ok, isso ainda acontece), sem ela, ainda haveriam duas Alemanhas, os Irlandeses teriam sido extintos, a ditadura seria soberana e muitas outras coisas ainda estariam rolando.
O que me deixa puto da vida é ver como cresce a cada dia, o número de pessoas que são desprovidas de qualquer tipo de inconformismo ou revolta, por menores que sejam. Se são assaltadas, elas dizem: "Ah, tudo bem, não foi nada..." se o governo faz do Brasil um circo, elas dão de ombros e pensam: "Como são pilantras esses políticos, mas fazer o que isso não muda mesmo"...
Como pode alguém pensar assim?!?!?! Caramba! É tão difiícil ver que a cada dia "os mais espertos" deitam e rolam em cima do povo? Desdo o Senado até o cara da esquina que tenta te fazer de trouxa de qualquer jeito Somos NÓS quem cuidamos da nossa vida, e somos NÓS que a fazemos melhor ou pior. É muito cômodo pensar que nada vai mudar, que a culpa é sempre dos outros, porque ninguém quer admitir que só está na merda porque FEZ merda! E que se o Brasil só está desse jeito porque ninguém move uma palha para mudar!!!
Nessa semana uma pessoa me disse que era utopia viver com uma ideologia, e burrice se dispor a morrer por ela. Mas pra mim, burrice é viver como um vegetal desprovido de ideais, onde só importa comer e trabalhar. Me ferve o sangue quando eu vejo esse bando de invasores lá de cima que saem de seus buracos cecos para sujar a cidade, virando mendigo, vivendo numa condição sub-humana, tirando proveito, roubando, matando e destruindo tudo e todos que estão ao seu redor.
Me indigno quando vejo um policial apontar a arma para um inocente e perguntar "Mata ou não mata", quando é nítido para toda a nação a merda que está acontecendo no governo, e vem o Luiz Lesado Lula da Silva dizendo que não sabe de nada. Quando pago R$ 2,55 para andar num metrô lotado e sem estrutura. Me revolto quando penso que de aproximadamente 15 milhões de habitantes de São Paulo, 5 milhões vieram num pau de arara e em sua maioria vivem como mendigos ou em regiões de risco, e que somente 4 milhões são Paulistas ou Paulistanos.
Essas situações só vão mudar quando NÓS pararmos de nos conformar com tudo isso e começarmos a agir!! Eu já estou fazendo a minha parte, e você??
"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." - Albert Einstein
10 de jul. de 2009
Olhar estrangeiro...
Aeeee povo!!!!! Como vocês estão?!?Já faz um tempo que eu queria falar sobre esse assunto, e ontem foi a gota d'água para não protelar mais! =)
Quem me conhece sabe que eu amo essa cidade caótica chamada Sampa City, e vivo batendo fotos dela em todo lugar que eu vou. Até que ontem, aproveitando o feriadão resolvi pegar a bike e sair pela cidade fotografando prédios, grafites e tudo mais, até que eu cheguei no centro da cidade e percebi como ela é demais!!!
Numa das aulas da pós um professor falou sobre um tal "Olhar Estrangeiro", que ele mesmo tinha em relação a cidade, mesmo morando aqui já algum tempo. Esse olhar nada mais do que você ver aquilo que é corriqueiro e normal com outros olhos, como se você fosse um turista recem chegado. É descer a rua Augusta e se surpreender com os grafites nas paredes e portas das lojas fechadas. É como andar pelo centro e notar os detalhes das construções antigas que fizeram a história da cidade e até hoje permanecem firmes vendo essa história se modificar. Se deparar com o contraste do verde Vale do Anhangabaú com o cinza dos prédios ao redor e o colorido dos Grafites nos tapumes. Ir até o viadulto Sumaré e ver o sol se econder por detrás das torres, deixando um céu digno de uma pintura!
Com o Olhar Estrangeiro, você descobre que não é necessário ir muito longe, e nem pagar caro para ver uma obra de arte ou uma paisagem bonita. Basta saber olhar do jeito certo para os lugares, que você vai perceber que mesmo numa Megalópole como Sampa City é possível ver o belo, o histórico e o inusitado se fundindo num urbano único e primoroso.
Enjoy your city!!
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