E ae pe-pe-pe-pessoal, como vocês estão??
Depois de uma bela sumida, resolvi voltar. Eu sei que tenho que postar a segunda parte do texto sobre Web 2.0, mas na boa... não estou afim não... outro dia eu posto sobre isso...
Eu estou inaugurando hoje, uma série de posts (que como de costume não faço a menor idéia de quando será o próximo rs), sobre o diário de bordo que mantive no meu mochilão entre Argentina e o deserto do Atacama no Chile. Apesar de terem sido apenas 10 dias, tenho muita coisa que gostaria de compartilhar...
30 horas, esse foi o tempo que o ônibus levou para ir de Sampa até Bueno Aires. Pode parecer muito, mas se levar em conta as paisagens e a quantidade de estrelas que se vê nessa viagem, você percebe que todas essas horas passam num piscar de olhos.
Não tem explicação... não conseguia dormir, mesmo depois de um dia cansativo, e me encontrando em uma poltrona super confortável, perto das 3:00h da manhã (não tenho certeza, porque não olhei no relógio a viagem toda), eu ainda estava acordado e olhando pela janela maravilhado com o brilho das estrelas. Será que as estrelas brilham da mesma forma em todo lugar? - eu pensava.
Aqui em Sampa não temos muitas estrelas, apenas algumas poucas tímidas que se atrevem a aparecer em meio a um céu vermelho e carregado. Porém nessa madrugada, percebi que as estrelas são sempre estrelas, e não podem negar o seu brilho generoso. Para todos que quiserem erguer seu olhar para o céu, alí elas estarão, algumas mais fracas, ourtas mais fortes, algumas de época, outras de sempre, em sua maioria em conjunto, fazendo parte de algo maior, uma constelação, um grupo, um infinito...
Quando menos percebi, logo veio um majestoso nascer do sol. Na verdade ele começou tímido, acho que por volta das 6:00 da manhã, alguns poucos raios deixaram o horizonte um pouco alaranjado, mas em seguida, Deus apareceu com a sua aquarela de cores divinas e sem perder tempo começou a colorir todo o céu. Pinceladas de rosa, em meio ao laranja intenso e borrado num azul claro que ao pico do céu ainda se detia num escuro profundo, deixando ainda uma última oportunidade para suas amigas brilharem pela última vez naquela madrugada que dava lugar ao dia.
E dessa forma se foi toda a manhã, pessoas ainda dormiam quando o ônibus fez sua primeira parada em Maringá, e eu alí, olhando pela janela extasiado e pensando em milhares de coisas: pessoas amadas que se misturavam com a vida que migrava com coisas que pretendo fazer e dalí minha cabeça ia longe. Sem problemas, nem preocupações ou jobs nem nada do tipo. Dessa vez a vida pela vida me bastou, sem música, letra ou melodia, apenas o sopro de vida, puro e simples como só Ele sabe fazer.
Durante o dia, paramos para o almoço em Foz do Iguaçú, eu estava sem fome, por isso resolvi dar uma volta pelo lugar para conhecer, logo percebí que alí não tinha muito o que olhar, senão caminhões e postos de gasolinas na beira da estrada. Mas para mim isso já bastou, o fato de eu estar no meio do nada, sem nada, nem ninguém que me causasse preocupação ou pesar. Parei no meio da ilha que separam as pistas e fiquei olhando pro horizonte, até onde meus óculos me permitisam encontrar o fim da reta da estrada bem ao longe. Novamente minha cabeça foi invadida por uma série de pensamentos, coisas e mais coisas...
Daí em diante foi tudo muito tranquilo, alguns SMS chegavam para me alegrar matando a saudades e deixar meu dia mais feliz, além de me fazer companhia durante a noite enquanto olhava a lua grandona que ia iluminando madrugada a dentro. Curioso pensar que apenas alguns caracteres num celular, podem te transportar milhares de quilometros para perto de quem você gostaria de ver naquela hora. E assim foi, até chegarmos na Argentina, que por sinal na manhã do dia seguinte, já fomos recepcionados uma lindo nascer do sol, dessa vez ele veio com imponência, mostrando que daquela hora em diante ele assumiria o glorioso papel que a lua fez durante a noite e dessa forma continuaria a iluminar o dia todo.
Como num instante, já estávamos entrando em Buenos Aires rumo a rodoviária. Passando pelas avenidas, casas, carros, trânsito, logo percebi que dificilmente me sentiria fora de São Paulo. No mesmo instante, me senti estranhamente acolhido, como se estivesse chegando a um lugar que comum. Todo o desconforto de estar em um país estranho (que por sinal não era qualquer país, mas sim a Argentina rsrsrs), passou e já me senti bem a vontade, até mesmo com o espanhol, que era a minha maior preocupação por estar enferrujado e sem treino.
Ao descer do ônibus para pegar minha mochila, olhei para o relógio e percebi que aquela era a primeira vez que prestava atenção a ele. Foi então que percebí que o tempo é relativo ao relógio por onde nós achamos que o controlamos, porque na verdade é ele quem nos controla nos mostrando a hora de dormir, acordar, comer, etc... Quando não nos detemos a isso, 1 minuto pode se transformar em 1 hora e 30 horas em apenas alguns minutos. Tudo depende de como você olha o tempo e de como o aproveita.
O tempo, assim como as estrelas, são os mesmos sempre, o que muda é a forma que cada um de nós escolhemos olhar para eles.