5 de mai. de 2010

Entre asas e pés...

Eu me pergunto... e agora meus pés vão andando e perguntando, não por um caminho, mas por uma solução, pois de nada vale você caminhar ou mesmo correr pra bem longe, se não tem uma solução para os seus problemas. Por mais que este seja derrotar um inimigo em um tal lugar, e você vá para bem longe de lá, essa situação te perseguirá em sua mente como algo que não se resolveu.

Solução. A resposta para tudo que a Humanidade precisa. Solução para a fome no mundo, para a corrupção do governo de um país, para o trânsito da cidade, as contas na sua casa, sua baixa alto-estima que teima em te atormentar perguntando o motivo de que por mais que você faça e lute, as coisas nunca dão certo...

Talvez a solução não esteja mais nos pés, mas sim nas asas, pois elas podem te levar bem alto, te fazer voar, por cima de todas as montanhas de problemas ou preocupações, pois assim, de lá do alto, mesmo o Everest fica pequeno, e você consegue enxergar com mais facilidade o caminho inteiro para poder atravessá-lo.

No momento, estou entre os pés e as asas, enquanto aprendo a voar alto, busco correr para longe, pois caminhar por aqui eu já sei. Quem sabe se eu correr bem rápido o vento me toma em seus braços e me impulsione para que minhas asas tenham mais facilidade em me fazer voar...

3 de mai. de 2010

Miha arte é...



Depois de ler um artigo da Marcia Tiburi sobre "O Luto da Arte", na edição desse mês da revista Cult, comecei a desconstruir algumas coisas na minha cabeça, principalmente a respeito daquilo que eu faço.

Segundo a Teoria da Morte da Arte referiada por Hegel no século 19, a arte de um modo geral não está morta, mas sim a ela no seu estado belo. Levando em conta que a sua função histórica, segundo alguns caras que estudam o assunto, é fazer perdurar o belo para substituir o feio, percebemos que hoje, com a evolução do Homem e os episódios históricos de tragédias que marcaram nosso tempo, o "belo" recebeu uma nova leitura, bem diferente do que o apresentado há seculos atrás. Antes se tinha uma referência do que era belo, hoje essa referência está muito subjetiva à visão de cada um, matando dessa forma a diretriz do retrato do "belo" pela arte.

O engraçado é que para mim, a morte em si, nunca foi relacionada ao fim de alguma coisa, mas sim ao começo de uma nova etapa. Por exemplo, se não fosse a "morte" da arte como bela, hoje não teríamos a oportunidade de repensar sobre o que realmente é belo. Quando uma pessoa morre, a vida dela em si não acabou, simplesmente foi para um novo estágio, que até agora não se sabe ao certo qual é, cada crença prega o que acredita, mas de fato ninguém voltou para falar qual ou como é esse recomeço.

Tomando como base o pensamento subjetivo sobre o que é belo, voltei-me para aquilo que eu faço, e percebí que nunca sequer pensei nos meus trabalhos como arte. Ao contrário do que todos recomendam, nunca procurei estabelecer um traço específico para os meus desenhos nem um estilo visual para os meus sites ou demais trabalhos. Pois para mim, eles simplesmente "surgem", como fruto daquilo que eu sou, e não daquilo que eu tento ser. Eles são reflexos do meu ponto de vista do que é belo (ou não), e não do que pode ser belo para os outros.

Acredito que por desde cedo ter me imergido no mundo do Design como um negócio, sempre tratei de tudo como uma forma de trabalhar com aquilo que gosto de fazer, e não como uma maneira de ser reconhecido como um artista. Para mim tudo é muito simples, se preciso fazer um site para um cliente, eu apenas coleto o breafing com as informações que preciso, estudo algumas referências sobre a área de interesse para criar o meu conceito, e pronto... o site sai como consequência. No caso das minhas ilustrações, o trabalho é mais simples ainda. Eu apenas, paro, penso, e desenho aquilo que estou pensando (afinal de contas pensamos imagens e não palavras)... nada de mais... tanto um quanto o outro, são apenas um reflexo do que está na minha mente.

Com tudo isso processando na minha cabeça ao mesmo tempo em que escrevo esse post, somado ao artigo que lí, só consigo pensar em duas questões que talvez sejam tão subjetivas quanto a visão que cada um tem sobre o que é belo, e por conta disso, talvez eu nunca consiga uma resposta plausível e convincente para elas, então eu vou perdurar por um bom tempo perguntando...

O que é a arte hoje? Qual é a minha arte e onde ela se encaixa em tudo isso?